A cada
dia, sei menos de mim.
Esforço-me
para compreender pensamentos tão dúbios e cheios de ranhuras.
Tenho
procurado a evolução pessoal, porém percebo que a cada passo, surpreendo-me
dando outros dois para trás.
Já não
carrego em mim a necessidade de sorrisos plenos e constantes; compreendi que a
seriedade é um modo de fazer-me compenetrada no que, aos meus olhos, pode
parecer banal ou sem vida.
O
equilíbrio é lei. O problema é que tenho sentido que minha “balança” não tem
sido muito justa. Análises e julgamentos do que desconheço tomam conta e me
desestabilizam. Não quero! Busco sensatez e tranquilidade, mas os lixos que
carrego – de experiências errôneas – deixam minha alma fosca. E frequentemente
me pego varrendo histórias para debaixo do tapete, acumulando feridas e
solidões.
Complicado?
Sim, pois insisto, pouco tempo depois, em reorganizar o lugar e as tais
“autoanálises”.
O
impasse vai sujando e limpando, limpando e sujando, enquanto peço aos céus a
clareza de que tão bem careço frente ao mundo que me cerca. E dentro das cercas
que a alma insiste em manter, ferindo as mãos com arames farpados diante de
toques (mesmo aparentemente leves!) da (auto)acusação que nunca finda.

