sexta-feira, 15 de setembro de 2017
quinta-feira, 14 de setembro de 2017
sábado, 9 de setembro de 2017
quinta-feira, 7 de setembro de 2017
quinta-feira, 6 de julho de 2017
Negligência
Bati à porta.
Quando abriu, sorri envergonhada e, ligeiramente, estiquei o
braço, entregando uma semente – que ele
recebeu em sua mão esquerda.
Não me encarou e, ainda meio desconfiado, deu um passo para trás.
Sai e senti quando a porta fechou.
Trancou!
E senti, no fundo d’alma, quando, com desdém, meu pedaço de
esperança foi atirado pela janela...

quarta-feira, 24 de maio de 2017
O pulso ainda pulsa
"Se eu pudesse, arrancaria o 'coração' e deixaria ele em cima
da mesa, lá, sozinho, pulando até morrer, até cansar de bater
desnecessariamente por quem não deve... Mesmo sabendo que eu estaria correndo o
risco de que acabasse sobrevivendo sem minha permissão... E voltasse a bater
outras e novas vezes."

terça-feira, 9 de maio de 2017
0
O texto abaixo foi uma resposta que dei, há
algum tempo, em um blog amigo.
Ficou tão completo em si - e naquilo que não
mudou - que resolvi postá-lo. Com algumas pequenas anotações e correções.
Nunca
tive nenhuma segurança ao garantir minha inteireza, no decorrer de minha
história. Sempre me vi retalhos.
Retalhos
de outros que, por minha fragilidade e ingenuidade, foram se acumulando em pilhas
de sentimentos confusos e desconexos...
Tenho
esse defeito: quando me apaixono, corro riscos. E neles está minha capacidade
(cega) de acreditar que o outro pode vir a querer o meu “bem” - gratuitamente.
Mas nem sempre é assim. Aliás, nunca. No abrir as portas do coração ao alheio
alguns enxergam uma possibilidade de eliminar as “sobras” daquilo que não foi
aprendido em outras lições.
Nessa,
vou ficando omissa a mim mesma e já não sei se sou quem deveria ser. Torno-me alguém
sem somas ou novas interrogações... Alguém que já não consegue visualizar o
futuro de um (novo) bem querer - que me
aceite em falhas e frangalhos, num espaço interno tão cheio de “negativos”.
E eu?
“Menos um” ou até “menos de mim em mim”...
Nada.
segunda-feira, 8 de maio de 2017
Utopia
Suas
mãos nas minhas. Desejo simples, mas, igualmente, impossível.
Nem
exigiria doces beijos, se um toque seu no meu rosto tivesse a cor dos meus
sonhos.
Gracejo
meu, tolice. Se me visse, hoje, nem “bom dia” me daria...
Você? Nem
me saberia.

segunda-feira, 24 de abril de 2017
sábado, 1 de abril de 2017
Figurante
O
terceiro sinal toca e as cortinas se abrem.
O choro da criança interrompe os gritos angustiados da mãe que espera aflita pelo fim do sofrimento. Uma nova vida chegará às suas mãos e começará, então, um novo espetáculo. Um caminho repleto de segredos e sentimentos desordenados.
A criança é rodeada de conselhos e valores impostos. Desde cedo lhe é ensinado o certo e o errado. Seus olhos inquietos miram naqueles que falam sobre seu futuro, como se fosse uma receita de bolo: tudo milimetricamente planejado. Destino de pessoas de sucesso e reconhecimento: “o único caminho”, repetem incansavelmente.
A atriz percebe no seu íntimo que esse não é seu desejo real.
O script não mostra seu “par romântico” e o Diretor não se manifesta quando as dúvidas não cansam de perturbá-la. O desejo de ter alguém por um período da vida é inerente a todos, e não seria diferente com ela.
Em seus momentos de descanso, atrás das coxias, ela sente que não haverá esse alguém ao seu lado. Também não foi escalada para grandes papéis e deve se conformar com seu destino: coadjuvante de si mesma.
Durante a peça, por alguns instantes, ela diferencia quem usa máscara e quem não consegue se esconder de si mesmo. Uma forma infértil de passar o tempo e tentar minimizar as próprias mazelas.
Sua mocidade apresenta poucas possibilidades.
Algumas cenas são ensaiadas, mas aqueles que poderiam segurar suas mãos e ajudar a seguir em frente deixam-na de lado.
“Talvez eu não seja boa na arte da interpretação – da vida”, pensa. Insiste outras vezes e não entende o motivo de ter sido “jogada” ali.
O choro da criança interrompe os gritos angustiados da mãe que espera aflita pelo fim do sofrimento. Uma nova vida chegará às suas mãos e começará, então, um novo espetáculo. Um caminho repleto de segredos e sentimentos desordenados.
A criança é rodeada de conselhos e valores impostos. Desde cedo lhe é ensinado o certo e o errado. Seus olhos inquietos miram naqueles que falam sobre seu futuro, como se fosse uma receita de bolo: tudo milimetricamente planejado. Destino de pessoas de sucesso e reconhecimento: “o único caminho”, repetem incansavelmente.
A atriz percebe no seu íntimo que esse não é seu desejo real.
O script não mostra seu “par romântico” e o Diretor não se manifesta quando as dúvidas não cansam de perturbá-la. O desejo de ter alguém por um período da vida é inerente a todos, e não seria diferente com ela.
Em seus momentos de descanso, atrás das coxias, ela sente que não haverá esse alguém ao seu lado. Também não foi escalada para grandes papéis e deve se conformar com seu destino: coadjuvante de si mesma.
Durante a peça, por alguns instantes, ela diferencia quem usa máscara e quem não consegue se esconder de si mesmo. Uma forma infértil de passar o tempo e tentar minimizar as próprias mazelas.
Sua mocidade apresenta poucas possibilidades.
Algumas cenas são ensaiadas, mas aqueles que poderiam segurar suas mãos e ajudar a seguir em frente deixam-na de lado.
“Talvez eu não seja boa na arte da interpretação – da vida”, pensa. Insiste outras vezes e não entende o motivo de ter sido “jogada” ali.
Poucos colegas
se propõem a interagir com a “criatura solitária”. Sim, assim mesmo: uma
criatura solitária.
Em meio ao cotidiano, ela percebe que está fadada à solidão.
Os pés no chão e as realidades possíveis invadem seu ser e permanecem como seus companheiros.
Às vezes, é melhor ficar no camarim, decorando as novas cenas, fingindo não conhecer sua presença ignorável.
Ela não entende por que o Diretor insiste em mantê-la no espetáculo, se sua atuação é totalmente dispensável.
Em meio ao cotidiano, ela percebe que está fadada à solidão.
Os pés no chão e as realidades possíveis invadem seu ser e permanecem como seus companheiros.
Às vezes, é melhor ficar no camarim, decorando as novas cenas, fingindo não conhecer sua presença ignorável.
Ela não entende por que o Diretor insiste em mantê-la no espetáculo, se sua atuação é totalmente dispensável.
O
coração, cansado de relacionamentos fracassados, não consegue enganar aquele
ser humano que o carrega. Ela sente-se enganada e, ao mesmo tempo, resignada.
“Faz parte do processo”, tenta se convencer.
E segue com seu papel simples e imutável.
E segue com seu papel simples e imutável.
A procura
por alguém que possa ajuda-la a sanar a carência humana existente em um só
personagem não permite culpa-Lo, pois não há justificativas para sua falta de
bons atributos.
Não é bela, não é inteligente e um imenso vazio invade suas entranhas. Aos poucos, mas constante.
Não é bela, não é inteligente e um imenso vazio invade suas entranhas. Aos poucos, mas constante.
Vai
permanecendo pelos cantos sempre que a falta de qualidades insiste em tirá-la
do palco em que está inserida (por puro engano, tem certeza!).
Uma
sensação de desconforto emocional toma conta, mais uma vez. Sabe que não
deveria estar ali e não sente que possa, um dia, ser seu lugar.
Vergonhosamente,
vai ao camarim para tentar se camuflar, pois entende que é preciso agir, mesmo
sendo parte do elenco mudo.
Sabe
que tem que continuar, apesar do papel de figurante apagada diante de tantas
outras atuações explosivas, convincentes e cheias de vitalidade.
Não se
encaixa naquele palco. Mas os atos prosseguem...
Mais
uma vez pergunta ao Diretor se não há mudanças em sua trajetória. Chega a
esbravejar com Ele! Mas a Voz nada diz e ela segue muda em sua história como
figurante – destino certo daqueles que não possuem o carisma e o poder de
sedução necessários para atingir o sucesso particular.
Não
sabe como será o último ato. Apesar das frustrações, não tem pressa de saber. A
luta por melhores dias continua.
Sabe que não merece esse papel; por que mereceria outro mais interessante?
Nesse momento esquece as poucas falas. Mas não para e não há tempo (ou possibilidades) para voltar ao início. A correção faz-se necessária a partir do erro executado. Pede desculpas ao público, que olha com indiferença, e segue em frente.
Continua a cena: um monólogo entediante.
Sabe que não merece esse papel; por que mereceria outro mais interessante?
Nesse momento esquece as poucas falas. Mas não para e não há tempo (ou possibilidades) para voltar ao início. A correção faz-se necessária a partir do erro executado. Pede desculpas ao público, que olha com indiferença, e segue em frente.
Continua a cena: um monólogo entediante.
Poucos
têm paciência para assisti-lo e quem se atreve a fazê-lo, dorme nas cadeiras
acolchoadas da vida.
Parou de questionar o Diretor.
Parou de questionar o Diretor.
No
fundo, tem a certeza que as luzes continuam acesas e as cortinas insistem em
ficar levantadas.
Infelizmente,
o show tem que continuar...
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