Estamos
cada dia mais “gourmetizados”* na nossa relação com o aspecto externo.
O mundo
nos atropela e, quando não estamos de acordo com suas expectativas, somos
excluídos e esquecidos.
Forçam-nos
a comer menos e colocam em nossas cabeças que o importante é que fiquemos
sarados, gostosos e turbinados, mas não pela saúde em si, mas pela necessidade
de parecermos perfeitamente belos para uma mídia de celulares em todas as
esquinas e a obrigação da fama “imediata” nos meios de comunicação.
Estamos
deixando de mostrar quem realmente somos. Nosso brilho pessoal está dando lugar ao brilho superficial da graça objetal.
Perdemos
o direito de evidenciar fraquezas, expor a raiva de dias ruins (pelos mais
diferentes motivos) ou de sermos incapazes de controlar certas situações, mesmo
que momentaneamente, pelo risco de evidenciar tais eventos com uma maquiagem
borrada e mal cuidada. Ah, e a maquiagem... Essa sempre impecável em todos os
ambientes! Na festa, trabalho, casa dos amigos e, inclusive, no momento de
troca de máscaras de felicidade, quando chegamos naquele cantinho de nossa
intimidade, ao tirarmos os sapatos do encanto pleno.
Nossas
vestimentas estão “evoluindo” rápido demais, deixando para trás o conforto e
evidenciando a superficialidade das marcas e nomes de grande sucesso.
Desleixo
é coisa de gente desprezível! Afinal, elegância não é sinal de postura (nata ou
adquirida), onde o bom senso segue de mãos dadas com um (bom) gosto peculiar. O
dinheiro impera no uso da boa aparência.
Não há
espaço para os deslizes que nos fazem humanos – ou enganados – em algumas (e
até muitas!) de nossas escolhas.
Atrás
de cada disfarce, os olhos estão fundos e escuros, por conta do lamento oculto.
E o espírito cada dia mais órfão dos verdadeiros significados que deveriam nos
preencher.
* Gourmetizar significa “se utilizar de
uma embalagem de estética refinada, evidenciando certo exagero na aparência,
para (no fim) oferecer um produto simples, ruim ou sem graça”.









