Sou daquele tipo de pessoa que,
quase sempre, faz algumas limpezas materiais.
Nesses momentos, fuço tudo o que
tenho dentro de casa ou trabalho e fico me perguntando se ainda precisarei “disto
ou daquilo” um dia e, caso a resposta seja categoricamente um NÃO, separo para doação.
Não sei onde ou quando surgiu
essa minha aflição ao me incomodar com coisas acumuladas, mesmo que surjam
objetos que - ainda - não consigo me desfazer.
Quando estou nessas arrumações,
acabo encontrando coisas que nem imaginava ainda possuir: pequenos papéis de
bala que um amorzinho do colégio deu, a fitinha de uma viagem que fiz com os
amigos, um papelzinho com algum recadinho aparentemente bobo, mas que no dia me
trouxe sorrisos e até gargalhadas... E acabo sorrindo novamente!
Apesar dessa mania de limpeza dos
exageros, esses pequenos afagos ainda me fazem feliz e acabo não conseguindo jogá-los
fora...
Tenho lembranças (em tais gestos)
desde os meus cinco anos de idade, quando uma colega de faculdade de minha mãe
me deu um cartãozinho cheio de carinho. Não me lembro da moça que ofertou tal
presente, mas nunca me esqueci do modo como me tratava e do carinho que tinha
por mim.
Talvez diante da vida imaterial eu
reaja de maneira bem semelhante.
Pequenos fatos me atiçam o
coração e fazem com que eu me sinta especial. Um sorriso, um abraço, um aceno...
Levo comigo para sempre esses pequenos toques na alma! São “miudezas” grandiosas
na minha vida.
Sigo fazendo minhas limpezas – na
alma e na sala.
Guardando valores e anulando
lixos que só me fizeram carregar pesos desnecessários por períodos intermináveis
dentro de mim.









